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A confiança como princípio para um novo pacto social

A aldeiense Shiguemi Belmont tem visto profissionais do comércio local relaxando nos cuidados com o uso da máscara e diz que, com isso, sente-se insegura em relação a outros cuidados com o manuseio dos produtos. Afinal, hoje em dia a segurança - e muitas vezes, a vida - de um depende do cuidado do outro.

today 15/07/2020
Shiguemi Belmont
timer 2 min de leitura

Estou em distanciamento social desde o dia 17 de março. De lá pra cá, saí de casa apenas para coisas estritamente essenciais e tomando todos os cuidados recomendados. Como terapeuta, passei a atender exclusivamente online e não tenho ainda previsão de quando retornarei aos atendimentos presenciais. Reconheço que os novos hábitos são cansativos, chatos e incômodos: desinfetar produtos, usar máscaras, lavar as mãos sempre que possível, usar álcool gel, manter distância das pessoas... No entanto, já sabemos que tudo isso é NECESSÁRIO para um objetivo comum importantíssimo, que é a preservação da saúde.

À medida que o comércio e estabelecimentos que prestam serviços vão reabrindo, vamos percebendo que um dos pontos mais importantes neste “novo mundo” é a necessidade de construção de uma relação de CONFIANÇA entre consumidores e comerciantes/prestadores de serviço. Neste sentido, a primeira coisa que observo é o uso da máscara, já que é o cuidado mais básico e visível que as pessoas devem seguir, junto com o uso de álcool gel. Infelizmente, em quase todas as vezes que saí de casa para algum estabelecimento comercial ou de serviços aqui em Aldeia, vi funcionários sem máscara ou fazendo uso incorreto dela. Já fui atendida por pessoas sem máscara, com máscara no queixo, trocando máscara na frente de alimentos sem lavar as mãos e nem passar álcool gel, por exemplo.


Se vejo um funcionário sem máscara, ou usando-a de forma errada, já me sinto desrespeitada. Se o uso da máscara, que é o mínimo que se espera de todos, não está sendo cumprido corretamente por aquela empresa, como vou CONFIAR que outras medidas não visíveis estão sendo tomadas naquele ambiente? Como CONFIAR que aquele estabelecimento está adotando normas de segurança e higiene na cozinha, por exemplo? Como CONFIAR que o local está fazendo desinfecção do seu ambiente da forma como ele divulga que está sendo feito, ou pior, da forma como DEVE realmente ser feito?

Até que tudo isso tenha passado, os empresários precisam adquirir consciência de que a relação de CONFIANÇA com o cliente precisa ser construída com cuidado VERDADEIRO. É preciso entender que as normas estabelecidas pelos órgãos fiscalizadores servem para aumentar o grau de segurança e redução do número de contágios pelo coronavírus. É um pacto social, que deve ser cumprido por todos, por respeito a todos e pelo bem comum. Do contrário, passaremos ainda mais tempo distantes de quem amamos e com a economia e saúde colhendo enormes prejuízos porque, simplesmente, muitos comerciantes e prestadores de serviços não souberam fazer o mínimo do dever de casa.

Shiguemi Belmont
Terapeuta holística e moradora de Aldeia
@shiguemiterapiassistemicas