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As camadas de racismo nas Torres Gêmeas do Recife

"O clamor por justiça não é pedido de vingança. É reivindicação do reconhecimento de humanidade, algo negado há séculos", diz Sylvia Siqueira nesta artigo que pede que nunca mais ocorra o que ocorreu com Miguel Otávio, de apenas 5 anos, esta semana.

today 06/06/2020
Sylvia Siqueira Campos
timer 3 min de leitura

São muitas as camadas de racismo no ato de acionar o 9º andar das torres gêmeas do Recife, que acabou levando a vida de Miguel Otávio, 5 anos, e deixando Mirtes, sua mãe, sem chão. Mas poucas são as pessoas que conseguem desvendar a influência da raça na estrutura da sociedade pernambucana e acabamos reduzindo o inaceitável para a desculpável negligência. Não. Já basta! Queremos justiça para Miguel!


Num país onde o sistema de Justiça é fundado pela branquitude, racismo no Brasil é expressão proibida nos telejornais. Ou desce atravessado nas gargantas das direções escolares no mês da consciência negra. Em Pernambuco, os resquícios da escravidão dos corpos negros insistem em desenhar a sociedade até hoje. Botar uma criança de 5 anos no elevador, apertar o 9º andar e voltar para a manicure não é falta de paciência, é manifestação do racismo que estrutura o cotidiano da elite econômica e política no Recife. Essa perversidade limita a existência dos corpos políticos negros e periféricos.