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Pesquisador estuda grandes árvores da APA Aldeia-Beberibe

A descoberta das árvores foi feita ao se observar as imagens do projeto Pernambuco Tridimensional. Algumas delas ultrapassam os 50 metros de altura.

today 24/03/2021
Tatiana Portela
timer 2 min de leitura

Nossa Área de Proteção Ambiental (APA Aldeia-Beberibe), que completou 11 anos de criação na semana passada, é tema de uma tese de doutorado que descobriu, entre outras coisas, a existência de árvores gigantes dentro do território. Jhonathan Gomes dos Santos, doutorando da UFRPE, é o responsável pela pesquisa e diz que algumas delas podem ultrapassar os 50 metros de altura. Quanto maior uma árvore, maior o serviço ecossistêmico que ela presta.

O pesquisador em campo, junto a uma samaúma

“É importante saber que metade da massa de uma árvore é composta por carbono. Quanto maior ela é, mais carbono ela estoca. Em escala mais ampla, grandes aárvores contribuem significativamente com a regulação climática e manutenção da biodiversidade.”, explica o pesquisador.

O angelim-vermelho, maior árvore brasileira

Maior árvore

Em 2019, Jhonathan foi convidado a acompanhar uma expedição à Floresta Amazônica – promovida por pesquisadores de Minas Gerais – na qual se deparou com a maior árvore brasileira, o angelim vermelho, com quase 90 metros de altura. Depois disso, ele decidiu direcionar sua área de pesquisa, que inicialmente seria a mata plantada de eucalipto, para a mata nativa da APA.  

Foi então que ele descobriu as árvores grandes, ao observar as imagens produzidas pelo Projeto Pernambuco Tridimensional, do Governo do Estado. O projeto foi criado a partir das enchentes que atingiram a Zona da Mata Norte, em 2010, e vem sendo utilizado em empreendimentos que requerem detalhamento preciso do terreno, como estradas, ferrovias, barragens, sistemas de irrigação, redes de água, esgotos, energia, gás, serviços de mineração, entre outros.

“As imagens do PE3D me dão uma precisão muito boa da altura dessas árvores, assim como sua localização. Dá pra dizer que estão espalhadas em algumas áreas específicas da APA, mas não consigo dizer quais são as espécies”, detalha Jhonathan. “O próximo passo será ir a campo para identificar essas espécies, o que ia acontecer na semana passada, mas fui diagnosticado com COVID-19 e tive que adiar a viagem”, lamenta.

Pau-falho. Foto: Tarciso Leão

Entre as maiores espécies da Mata Atlântica em nossa região, segundo o Plano de Manejo do Parque de Dois Irmãos, ele adianta, estão a Pera glabrata (sete-cascos ou pereiro), Aspidosperma discolor (peroba ou canela-de-velho) e a Tapirira guianenses (cupiúba ou pau-pombo). As árvores encontradas na APA são importantes porque têm o dobro da altura média das espécies da Mata Atlântica e metade das encontradas na Floresta Amazônica.  

Embora não se possa ainda apontar a idade delas, é possível que sejam bem antigas. A concentração de árvores grandes e antigas em meio a uma unidade de uso sustentável, demonstra a importância de uma área protegida para o meio ambiente e população em geral.

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