X
Publicidade

Animais florescem na quarentena...?

Será que os animais estão mesmo retomando seus espaços durante nossa quarentena ou somos nós que estamos mais atentos a sua presença? Na coluna de hoje, Mariana Guenther discute os possíveis efeitos do isolamento sobre os animais e sobre nossa percepção e consciência ambiental

today 07/05/2020
Mariana Guenther
timer 4 min de leitura

As redes sociais estão inundadas de imagens e vídeos de animais ocupando ruas, praças, praias no mundo inteiro nesse período de isolamento social. As pessoas estão comovidas em ver tantos animais retornando aos espaços antes tomados pelo homem...

Cisnes e golfinhos nadando nos canais agora límpidos de Veneza, tartarugas eclodindo nas praias agora desertas, cangurus saltitando pelas ruas vazias da Austrália, gaivotas e pelicanos tomando as praias vazias no Peru, capivaras pastando felizes na beira do rio em plena cidade do Recife... a quantidade de imagens e vídeos na internet de animais retomando as cidades desertas parece ser infinita, mas muitas dessas lindas cenas não são totalmente raras ou relacionadas com o isolamento humano.


Os cisnes nos canais de Veneza, por exemplo, foram na realidade fotografados em Burano, uma pequena ilha na região metropolitana de Veneza, e são bastante comuns por lá. E os golfinhos foram filmados no porto de Cagliari, no mar Mediterrâneo, ainda que tenha sido uma imagem e tanto! É fato que a ausência de movimento das gôndolas faz com que a sujeira dos canais de Veneza se deposite no fundo e as águas fiquem mais claras, podendo ser possível visualizar os peixes – que provavelmente sempre estiveram por ali. As capivaras que encantaram os recifenses na última semana, na realidade foram filmadas no ano passado, bem antes do isolamento, e são bastante comuns na região. 

Algumas pessoas de fato exageram na criatividade, como os elefantes que teriam invadido uma área vinícola na província de Yunnan, na China, e dormiram, bêbados, ali mesmo, ou os flamingos nos canais de Veneza que supostamente voltaram devido ao isolamento humano, mas que na realidade trata-se de uma colagem de imagens realizada pela artista russa Kristina Makeeva.